Um milagre na Noruega

Um milagre na Noruega

Bacalhau fresco como nunca viu.

Este ano, para divulgar a abertura da época deste tesouro da Noruega, o chef Cordeiro juntou-se a 6 outros chefs internacionais numa viagem à Noruega para conhecer de perto as origens do Skrei. A viagem culminou num evento de apresentação à imprensa e ao sector deste Bacalhau tão especial, num almoço confeccionado pelo próprio chef Cordeiro.

O evento de apresentação este ano contou com muitas surpresas, incluindo uma ligação directa à Noruega, onde um pescador esclareceu questões via online streaming

O Skrei começa a chegar às costa da Noruega em meados de Janeiro, para partir de novo para o Árctico por altura da Páscoa, cumprindo um o ciclo natural da sua vida, cumprindo um ciclo delicioso para quem espera quase um ano para poder encontrar de novo este peixe.

Entre Janeiro e Abril, época escolhida pelo Skrei para desovar, chegam milhões de indivíduos oriundos do Mar de Barents para acasalar nas águas onde nasceram. Percorre uma grande distância e é por este comportamento que tem o nome Skrei que origina da palavra “skrida” em Norueguês e que significa “Nómada” na nossa língua.

Durante o seu périplo no labirinto de fiordes, a sua alimentação altera-se, uma vez que aqui se alimenta em abundância de capelim e de krill, mitigando as energias gastas durante os três meses de migração desde as águas árcticas.

É na paisagem dura, batida pelos ventos frios polares e enregelada pelas neves que se pesca o Skrei em condições muito extremas. Actividade iniciada pelos Vikings, continua hoje a ser praticada pelos pescadores das ilhas Lofoten que fixam o horizonte das águas geladas da Noruega, esperando a sua chegada.

A pesca ao Skrei remonta ao Século X depois de Cristo quando os Vikings noruegueses, que estiveram entre os primeiros a fazer o comércio de Bacalhau fresco, reconheceram o seu valor.

No início dos anos 1100, o rei Øystein Magnusson, perante esta actividade económica de elevado valor ordenou a cada pescador que lhe pagasse uma taxa anual de cinco Skrei.

No ano 1896, mais de 32000 pescadores pescavam Skrei. Tal era a concentração de barcos de pesca nos portos do Norte da Noruega nesta época que, literalmente, se podia atravessar os portos sem molhar os pés, bastando simplesmente passar de embarcação para embarcação.

O Skrei é um gadus morhua. Sim, é gadus morhua que os portugueses tanto apreciam salgado seco. O verdadeiro Bacalhau, mas fresco e preparado de uma forma completamente diferente. Os noruegueses adoram-no cozido, muito ligeiramente, para poder estar suculento e desprender lascas brancas e macias quando se lhe toca com o garfo, deixando sentir o sabor fresco que só o Skrei possui.

Tem de ser pescado à linha, tem de ser sangrado a bordo e lavado com água do mar, para que a sua carne continue alva como a neve. Tem de chegar ao porto até seis horas depois de ser pescado, onde é logo embalado, apenas em refrigeração, e enviado para os mercados onde o esperam. Com impaciência. 

O tamanho médio do Skrei capturado é entre 5 e 15 quilos. O maior alguma vez capturado tinha cerca de 50 quilos.

Para que se distinga dos outros peixes, Skrei que é Skrei tem o selo de origem colocado na primeira barbatana dorsal.

 

Factos sobre o Skrei

 

• Skrei é o nome usado para o Bacalhau do Árctico (gadus morhua) durante o primeiro período do ano quando está prestes a desovar.

• Durante este primeiro período limitado, de Janeiro a Abril, o Skrei migra entre 500 e 1000 quilómetros para desovar.

• O Bacalhau do Árctico representa o maior e mais importante stock de Bacalhau do Atlântico Norte.

• O Bacalhau do Árctico é um Bacalhau migrador, oceânico.

• Todos os anos o Bacalhau do Árctico migra do Mar de Barents para as zonas de desova mais a sul. A principal área é a das ilhas Lofoten, mas também vem desovar mais a sul na costa norueguesa de Møre og Romsdal.

• O tempo que permanece no Mar de Barents é também um tempo de migração. O Bacalhau come camarão, arenque ou capelim. As suas migrações são determinadas pelas suas necessidades alimentares, pelas correntes e pela temperatura das águas.

• O Bacalhau pode migrar entre 20 a 40 km por dia.

• O Bacalhau do Árctico é, entre todos os bancos de Bacalhau, aquele que migra distâncias mais longas. Esta é uma diferença central para com todos os outros stocks de Bacalhau, como sejam o Bacalhau costeiro e o Bacalhau do Mar do Norte, que são tipos mais sedentários de Bacalhau.

• O Bacalhau do Árctico atinge o estado de adulto entre os 5 e os 7 anos. A partir daí é capaz de procriar todos os anos até morrer.

• A migração do Mar de Barents começa entre o final de novembro e Janeiro. O primeiro Skrei chega à zona de desova durante Janeiro ou no princípio de Fevereiro. Continuam a chegar até março. A procriação termina em meados de Abril.

• O Skrei chega às zonas de desova em cardumes. Habitualmente as fêmeas chegam primeiro e a maior parte dos machos mais tarde.

• Devido ao facto de que o objectivo desta migração é para procriar e não para se alimentar, o Skrei não come muito durante este período, comparativamente ao resto do ano.

• Como o Skrei se alimenta menos durante esta época e ao mesmo tempo migra por longas distâncias em águas frias e límpidas, os músculos do Skrei ficam em perfeitas condições. Por isso a textura da carne é firme e a sua cor é particularmente branca.

• Durante o período Skrei ele possui o fígado e as ovas bem desenvolvidas.

• O Skrei armazena muita da sua energia no fígado, preparando-se para o ato da procriação.

• As ovas de uma fêmea desenvolvida podem conter 5 milhões de ovos simples. A dimensão das ovas é proporcional ao corpo do peixe, assim estas podem conter entre 400 mil ovos até 15 milhões.

• Imediatamente a seguir à desova o Skrei é ideal para ser seco (tørrfisk) ou salgado seco (klipfisk). O klipfisk é a forma de Bacalhau que mais se consome em Portugal.