Norge confirma ausência de aditivos

Norge confirma ausência de aditivos

Portugal tem na Noruega o melhor aliado para defender a qualidade do bacalhau

Nas últimas semanas tem-se assistido a uma polémica relacionada com a possível introdução de fosfatos no bacalhau que necessita de ser clarificada. O Conselho Norueguês da Pesca (Norge) assegura que o bacalhau com origem na Noruega, que representa 60 por cento do consumo nacional, está isento de aditivos e, mesmo com a nova permissão da União Europeia, não tem nem terá fosfatos, mantendo as normas de produção tradicional por que sempre se pautou.

O interesse da Noruega no bacalhau é extremamente claro. Não há nenhuma outra nação ligada à indústria do bacalhau que seja tão dependente dos consumidores portugueses. Por isso o controle e os padrões de produção são os mais apertados do mundo. Este tem sido o pilar do sucesso na gestão dos recursos marinhos e na produção de bacalhau de forma tradicional, de confiança e saudável.

Portugal, as suas empresas e os seus consumidores, pode ter a certeza de que tem no setor do bacalhau norueguês o seu melhor aliado na defesa da qualidade do bacalhau.

Convém por isso salientar que, tal como indica a norma europeia agora aprovada, o fornecimento de bacalhau com fosfatos não é permitido para o mercado português. Foi isso, aliás, que o Governo português reafirmou

Ao escolher Bacalhau da Noruega os consumidores portugueses terão a garantia que estão a consumir um produto cuja base é bacalhau e sal. Nada mais.

A realidade do bacalhau que é consumido em Portugal

No total Portugal consome cerca de 70.000 toneladas de seco salgado por ano. Este produto chega ao país de diversas formas.

1.500 toneladas chegam a Portugal em fresco. Aqui não há qualquer risco de uso de polifosfatos.

26.000 toneladas são importadas em salga húmida (bacalhau verde) sendo que 17.000 mil tem origem na Noruega e 9.000 da Islândia.

A Norge apenas pode falar pela parte norueguesa e, sendo Portugal o seu principal mercado, confirmou à AIB (Associação de Industriais de Bacalhau) em reuniões de trabalho e por escrito, que as novas normas não irão afectar a produção tradicional de bacalhau, a qual irá continuar a ser feita como até aqui, apenas com cura de sal. Logo, não haverá riscos de polifosfatos. Pela parte Islandesa não podemos falar.

30.000 toneladas chegam em produto finalizado já salgado e seco, sendo que 27.000 toneladas chegam diretamente da Noruega e 3.000 toneladas são terminadas em Espanha.Tal como já foi sublinhado, até pelo embaixador norueguês Ove Thorsheim, o bacalhau da Noruega não será afectado por esta nova regulamentação. Assim não haverá risco de fosfatos no bacalhau com origem na Noruega. Aliás, tal como também diz a AIB, não tem sentido usar fosfatos num produto que tem de ser seco até aos 47% de humidade máxima, dado que isso apenas iria fazer aumentar os custos.

Neste momento está a ser avaliada a hipótese de o Bacalhau da Noruega passar a ter uma etiqueta com toda a informação para os consumidores não tenham qualquer tipo de dúvida.  

23.000 toneladas chegam em produto congelado, sendo 16.000 de bacalhau legítimo e 9.000 de bacalhau do Pacífico. Este bacalhau é usado pelos produtores portugueses para fazerem as diversas categorias de bacalhau seco e bacalhau demolhado ultracongelado, sendo este produzido muitas vezes com base em bacalhau que não é totalmente seco. Sobre esse processamento não nos podemos pronunciar pois a Noruega não produz este tipo de produtos.

Em suma: 27.000 toneladas chegam da Noruega em salgado seco e 17.000 em bacalhau verde. Isto significa que, desde logo, 60% do bacalhau consumido em Portugal não é afetado pelas novas regras comunitárias.

A restante produção deverá ser controlada e assegurada pelas empresas portuguesas, as quais com toda a certeza encontrarão uma forma de continuar a produzir bacalhau de forma tradicional. Isso, aliás, já foi garantido por algumas empresas portuguesas, por exemplo a Riberalves.

Tendo em conta tudo isto, e os cuidados acrescidos de vigilância a que esta legislação comunitária obrigou, temos a certeza que a qualidade do bacalhau vendido em Portugal irá aumentar. O futuro do bacalhau vai ser bom.

 

O delegado da Norge em Portugal

Christian Bue Nordahl